A Câmara Municipal de Bauru aprovou, na tarde desta segunda-feira, dia 15, a abertura de uma Comissão Especial de Inquérito, a CEI, para investigar denúncias de desvio de bens inservíveis e sucatas pertencentes à Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural, a Emdurb.
A comissão será formada por sete vereadores, sendo cinco da base governista e dois da oposição. A ampliação de cinco para sete integrantes foi sugerida pelo vereador Segalla e aprovada em plenário. Fazem parte da CEI os vereadores Márcio Teixeira, Marcelo Afonso, Sandro Bussola, Edson Miguel, Julio Cesar, Estela Almagro e Arnaldo Ribeiro. Marcelo Afonso foi definido como presidente e Sandro Bussola como relator.
A instalação da CEI ocorreu após votação em plenário que autorizou a tramitação do pedido, mesmo ele tendo sido protocolado após as 10h30, horário limite estabelecido pelo Regimento Interno da Casa.
A iniciativa partiu da vereadora Estela Almagro, do PT, e contou com 18 assinaturas de parlamentares. Agora, a comissão terá prazo de 90 dias, podendo ser prorrogado por mais 30, para concluir as investigações. Esse período segue contando normalmente durante o recesso parlamentar, que começa nesta terça-feira, dia 16, e vai até 2 de fevereiro.
Durante a sessão, o vereador Eduardo Borgo fez um apelo para que a oposição também integrasse os cinco membros iniciais da comissão. Ele e a vereadora Estela defenderam ainda que os trabalhos tenham início imediato, sem aguardar o fim do recesso.
De acordo com o documento que fundamenta a CEI, as denúncias estão ligadas a fatos ocorridos após o forte vendaval registrado em 22 de setembro de 2025, que causou danos em várias regiões da cidade, como quedas de árvores, semáforos, prejuízos à rede elétrica e destelhamento de imóveis públicos e residenciais.
Entre os locais afetados está o Terminal Rodoviário “Dirço Durval dos Santos”, que passava por obras de reforma. Parte da cobertura metálica foi arrancada pelos ventos, o que levou à interdição do espaço. Uma força-tarefa foi mobilizada para limpeza, retirada de estruturas metálicas e retomada das obras.
Segundo o pedido da CEI, não ficou clara a destinação dos materiais considerados inservíveis após o vendaval. Conforme a vereadora Estela Almagro, surgiram informações apontando possível uso indevido e desvio de finalidade dos valores arrecadados com a venda dessas sucatas.
Os vereadores autores do pedido afirmam que, caso confirmadas, as irregularidades podem configurar violação aos princípios da legalidade e da moralidade administrativa. Por isso, defendem uma investigação formal, com poder para requisitar documentos e ouvir testemunhas.
Paralelamente, a Polícia Civil também investiga o caso. Nesta segunda-feira, equipes estiveram na Emdurb, conforme denunciado pela vereadora Estela na tribuna e confirmado pela reportagem junto a delegados.
Em nota, a Emdurb afirmou:
"A Emdurb esclarece que os materiais considerados inservíveis foram devidamente vendidos, conforme prática administrativa permitida, e os valores arrecadados foram integralmente destinados à aquisição de materiais e móveis para uso da própria empresa. Não houve, em nenhum momento, desvio de recursos para fins particulares ou para bens que não sejam de uso institucional da Emdurb”.
A empresa informou ainda que:
“foi instaurado procedimento interno (sindicância) com o objetivo de verificar a forma como o processo administrativo foi conduzido, incluindo as etapas internas e eventuais responsabilidades, assegurando transparência e observância às normas. A apuração em curso busca exclusivamente analisar os procedimentos adotados, especialmente considerando que parte das telhas encontrava-se sem condições de reaproveitamento, reafirmando o compromisso da Emdurb com a legalidade, a correta gestão dos recursos públicos e a transparência administrativa."